06 janeiro 2016

[Resenha] Para Sempre Alice - Lisa Genova

Título original: Still Alice
Autor: Lisa Genova
Minha edição: Nova Fronteira

"Alice Howland sempre foi uma mulher de certezas. Professora e pesquisadora bem-sucedida, não havia referência bibliográfica que não guardasse de cor. Alice sempre acreditou que poderia estar no controle, mas nada é para sempre. 

Perto dos cinquenta anos, Alice começa a esquecer. No início, coisas sem importância, até que ela se perde na volta para casa. Estresse, provavelmente, talvez a menopausa; nada que um médico não dê jeito. Mas não é o que acontece. Ironicamente, a professora com a memória mais afiada de Harvard é diagnosticada com um caso precoce de mal de Alzheimer, uma doença degenerativa incurável. 

Poucas certezas aguardam Alice. Ela terá que se reinventar a cada dia, abrir mão do controle, aprender a se deixar cuidar e conviver com uma única certeza: a de que não será mais a mesma. 

Enquanto tenta aprender a lidar com as dificuldades, Alice começa a enxergar a si própria, o marido, os filhos e o mundo de forma diferente. Um sorriso, a voz, o toque, a calma que a presença de alguém transmite podem devolver uma lembrança – mesmo que por instantes, e ainda que não saiba quem é."

Arrisco dizer que "Para Sempre Alice" tenha sido o livro que mais me emocionou durante a leitura. Me vi no lugar de Alice, sofrendo com a degeneração da memória que a doença causa. Chorei. Chorei muitas vezes.

Alice Howland é uma mulher bem-sucedida aos olhos da sociedade: professora-doutora de psicologia e linguística em Harvard, é casada e possui três filhos já adultos e encaminhados na vida. Leva uma vida atarefada, cheia de palestras, seminários, além de lecionar e ser orientadora na universidade.

Ela apresenta pequenos lapsos de memória, que atribui ao cansaço, a correria do dia-a-dia e até mesmo a menopausa. Certo dia, porém, ela esquece o caminho de casa, mesmo tendo feito o mesmo trajeto durante dez anos. A professora procura ajuda médica e, após inúmeros exames e testes, é diagnosticada com mal de Alzheimer de instalação precoce. 

Começa, então, a jornada de Alice rumo ao esquecimento. A autora nos agracia com inúmeros momentos emocionantes durante o livro, narrando as mudanças que a doença causa em Alice e nas pessoas ao redor da personagem. 

É um livro de sofrimento, sem dúvida nenhuma. Sofremos por Alice, sofremos pela família e amigos de Alice, sofremos com medo de esquecer. Conforme a história avança e nos deparamos com as novas dificuldades e medos que a doença ocasiona, sofremos ainda mais. 

O mais interessante é a forma com que a autora narra a história. Mesmo sendo em terceira pessoa, acompanhamos Alice em todos os momentos e quando ela esquece de algo, a cena se repete, como se o leitor também esquecesse e precisasse refazer os passos. Lisa Genova foi muito feliz ao desenvolver a história deste modo, nos aproximando da personagem, nos fazendo sentir como ela se sente. 

Eu quero que o mundo leia este livro. Quero que todos sintam o mesmo que eu senti ao ler a história, quero que se emocionem da mesmo forma que eu. "Para Sempre Alice" me marcou de uma forma muito especial. É um livro incrível.
"Quando não há mais certezas possíveis, só o amor sabe o que é verdade."
- Lisa Genova  

Lisa Genova nasceu em 1970 nos Estados Unidos. É formada biopsicologia pela Bates College e recebeu um Ph.D. em neurociência da Universidade de Harvard. Faz palestras no mundo inteiro sobre Alzheimer, traumas cerebrais e autismo. Recebeu inúmeros prêmios pela publicação do livro "Para Sempre Alice", que foi adaptado ao cinema e rendeu o Óscar de melhor atriz a Juliane Moore. Lisa vive com a família em Massachusetts.

14 comentários:

  1. Adorei o livro!!! Me comoveu e me imaginei no lugar dela. É muito bom para desapegarmos das coisas e entendermos que nada é para sempre.

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    1. Oi Elaine! Obrigado pelo comentário.
      Também me imaginei no lugar dela. É uma situação muito complexa que nos faz refletir bastante, não é mesmo?

      Beijos!
      David

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  2. Para sempre Alice é sem duvida um dos melhores livros que lá li. Ele expressa todas as dificuldades e problemas que tanto uma pessoa que tem a doença sofre, quanto as pessoas que estão a sua volta. Sem duvida nenhuma recomendo !!!

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    1. Oi Gabi!
      Eu também super recomendo o livro. É um dos meus favoritos! A forma como Lisa conta a história de Alice é muito interessante, dando ênfase nas mudanças que vão ocorrendo ao redor da personagem.
      Obrigado pelo comentário!

      Beijos
      David

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  3. Na minha lista de leitura de 2016 com certeza "Para Sempre Alice" foi um livro que me marcou, a forma como foi escrita à história e todos os passos da evolução da doença sem dúvidas é algo que gera certo incômodo, pois você acaba vivenciando a história do livro e certas vezes me coloquei no lugar dos personagens, seja Alice que tinha uma posição na vida onda a memória era fundamental para o exercício de sua profissão ou seja na posição dos personagens que conviviam com ela e ter de ver alguém que você gosta se esquecendo de todas as coisas que vocês viveram e até mesmo de quem ele é até sobrar mais nada. "Para Sempre Alice" não é apenas uma leitura, mas sim uma leitura para a vida.

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    1. Oi Aldair!
      Concordo plenamente com o seu comentário. Lisa Genova conseguiu inserir uma carga emocional muito grande no livro, algo que nos marca de uma forma especial. Conforme a doença avança e a escrita vai se repetindo, nos sentimos cada vez mais no lugar de Alice. É um livro para a vida, sem dúvidas!

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços,
      David

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  4. Para Sempre Alice foi o primeiro livro que eu li em 2016 e me emocionou bastante. Gostei do rumo que a história tomou no final. Depois de lido o livro, assisti ao filme. Também gostei, mas achei que a Lydia podia ter sido mais bem explorada no filme por que no livro a personalidade da Lydia e a relação dela com a Alice são mais complexas. Mas Juliane Moore estava perfeita no papel da Alice.
    Gostei da sua resenha. Até mais! ;)

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    1. Oi Nathalia! Concordo contigo nessa aspecto. A Lydia tem um grande papel no livro, algo que deixou de ser explorado no filme. Alice é um personagem forte que Juliane reproduziu com maestria (apesar das divergências de características físicas, né?).

      Obrigado pelo comentário!

      Abraços,
      David

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  5. A leitura foi bem emocionante e ao mesmo tempo me deixou com muito medo. Me coloquei no lugar da Alice e percebi o quanto a nossa memória é primordial. A parte que mais me marcou foi quando a Alice não conseguir fazer a leitura de um livro. Não sei se conseguiria viver com uma doença dessas!

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    1. Oi Ana Paula!

      Eu também me senti bem incomodado com relação a leitura de livros. Eu não saberia viver sem poder ler! O mal de Alzheimer é uma doença devastadora e este livro nos faz refletir muito sobre como seria se fossemos nós no lugar da Alice. É assustador.

      Obrigado pelo comentário!

      Abraços,
      David

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  6. Li o livro e não assisti o filme, prefiro assim. Nunca conheci alguém com o mal de Alzheimer, sabia que era uma triste doença, mas não sabia que evoluía tao rápido. Fiquei surpresa com a a velocidade que o nosso cérebro pode regredir a desestabilizar uma vida e a vida de toda família. Felizmente na vida de Alice, a família ajudou-a e amparou-a, sabemos que muitas vezes nossos velhinhos são abandonados ao menos sinal de fragilidade ou dependência. Sugiro a todos que leiam este livro, como fonte de conhecimento. Maravilhoso.

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    1. Oi Vania!

      Eu recomendo o filme, também. Ele é bastante fiel ao livro e a Juliane Moore desempenhou muito bem o papel de Alice. Dê uma chance ao filme!
      Eu também fiquei bastante surpreso com a questão da evolução da doença e de como afeta a todos a sua volta. Este livro nos põe no lugar da Alice, nos fazendo sofrer com ela, a sentir seus temores. É uma grande fonte de conhecimento, sem dúvidas!

      Obrigado pelo comentário!

      Abraços,
      David

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  7. Olá, David. Obrigada pela oportunidade de conhecer o seu blog. O livro é, ao mesmo tempo, encantador e assustador. Afinal, qualquer um de nós poderá passar por qualquer uma das situações das personagens: seja na condição de paciente, seja na condição de um familiar. A maneira doce como é tratada auxilia na 'digestão' e nas incertezas do caminho de Alice. Já li o livro há muito tempo e ainda não assisti ao filme, mas pretendo assim que me for possível. Abraço, Aline.

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    1. Olá Aline!

      Concordo com seu ponto de vista: o livro encanta e assusta. Nos põe no lugar de Alice, sofrendo com as mudanças que a doença ocasiona e com as incertezas do dia-a-dia de um portador do Alzheimer.

      Obrigado por seu comentário!

      Abraços,
      David

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